Eleições 2026

Sabatinas: o que perguntaram e o que ficou por responder

Debate é confronto; sabatina é interrogatório. Aqui fica o registo de cada entrevista individual — Jornal Nacional, GloboNews, CBN, O Globo, Valor e outros — com as perguntas feitas, se o candidato respondeu ou se desviou, onde esteve bem, onde tropeçou e o que os checadores corrigiram em direto. Toda a avaliação é de terceiros, com fonte à vista.

28/08/2026TV Globo / g1 / GloboNews / CBN

Flávio Bolsonaro (PL)

Sabatina após o Jornal Nacional · Renata Vasconcellos, César Tralli

A sabatina mais tensa da série: Flávio foi pressionado sobre o destino dos recursos obtidos junto de Daniel Vorcaro, admitiu erro do irmão no episódio do tarifaço e negou a origem humana do aquecimento global. Foi filmado com uma 'cola' na mão, com as palavras 'mudança', 'futuro' e '7 de setembro'.

O que foi perguntado

  • Caso Vorcaro / Banco MasterDesviou-se

    Para onde foram os recursos recebidos de Daniel Vorcaro?

    Não explicou o destino dos valores, segundo a CBN, e remeteu para a atuação parlamentar na CPI.

  • Tarifaço e o irmãoRespondeu em parte

    A articulação do seu irmão nos EUA prejudicou o Brasil?

    Admitiu que houve erro, mas contextualizou a atuação de forma que os checadores consideraram fora de contexto.

  • ClimaDesviou-se

    O aquecimento global é causado pela ação humana?

    Negou a origem humana, falou em 'épocas cíclicas' e desviou para saneamento básico.

  • Pix e urnas eletrónicasRespondeu

    Mantém as críticas ao Pix e às urnas?

    Repetiu afirmações classificadas como erradas pela Lupa sobre o Pix, a Dark Horse e a segurança das urnas.

Pontos altos

  • Postura calma sob pressãoAliados citados pela CNN Brasil e uma análise da Exame destacaram a serenidade e a organização da performance, num formato que lhe era hostil.
  • Reconheceu um erro do próprio campoAdmitir que houve erro no episódio do tarifaço foi visto como movimento de moderação em relação ao discurso habitual.

Pontos baixos

  • Não explicou o dinheiro de VorcaroA pergunta central sobre o destino dos recursos ficou sem resposta objetiva, segundo a CBN.
  • Negação do aquecimento globalOs próprios aliados, ouvidos pela CNN Brasil, chamaram-lhe 'derrapada'; o Poder360 registou o desvio para saneamento.
  • A 'cola' na mãoUOL e Poder360 mostraram as palavras escritas na palma da mão — 'mudança', 'futuro' e '7 de setembro' —, repetindo um gesto do pai.
  • Erros factuais em sérieA Lupa registou erros sobre Pix, Dark Horse e ataques às urnas, e exagero na descrição da sua atuação na CPI do caso Master.

Leitura de desempenho

Avaliação dividida: segurança de forma, fragilidade de conteúdo. Elogiado pela calma, criticado por não responder sobre Vorcaro e por acumular erros factuais.

Critério: Checagem da Agência Lupa, reportagens de CBN/UOL/Poder360 e análises de CNN Brasil e Exame

28/08/2026O Globo / CBN / Valor / TV Globo

Augusto Cury (Avante)

Sabatina O Globo / CBN / Valor e entrevista após o Jornal Nacional · Equipa de O Globo, CBN e Valor, Renata Vasconcellos, César Tralli

Último dos seis presidenciáveis da série. O escritor e psiquiatra do Avante apostou no registo que o tornou conhecido — saúde mental, educação emocional e crítica à polarização — e teve mais dificuldade quando a conversa passou para orçamento, articulação com o Congresso e política económica.

O que foi perguntado

  • Saúde mental e educaçãoRespondeu

    Como transformaria a sua área de origem em política pública nacional?

    Detalhou a proposta de educação socioemocional nas escolas e de rede de prevenção em saúde mental.

  • EconomiaRespondeu em parte

    Que política fiscal e económica adotaria?

    Respondeu em termos gerais, sem fixar metas ou instrumentos concretos.

  • GovernabilidadeDesviou-se

    Sem partido grande e sem tempo de TV, como governaria com o Congresso?

    Voltou ao apelo contra a polarização em vez de descrever uma estratégia de coligação.

Pontos altos

  • Autoridade no tema próprioNas perguntas sobre saúde mental e educação apresentou o discurso mais específico e coerente da entrevista.
  • Tom conciliador num ciclo agressivoOcupou o espaço do candidato que recusa o confronto, contraste evidente com o resto da série.

Pontos baixos

  • Generalidade nas contas públicasNas perguntas de economia e orçamento não avançou metas nem instrumentos, ficando no plano dos princípios.
  • Sem resposta sobre governabilidadeA pergunta sobre articulação política com o Congresso ficou sem plano concreto — a mesma lacuna apontada após o debate da Band.

Leitura de desempenho

Forte no tema que domina e simpático no tom, ainda pouco concreto naquilo que uma Presidência exige em economia e articulação política.

Critério: Resumo em cinco pontos publicado por O Globo/CBN/Valor

27/08/2026TV Globo / g1 / GloboNews / CBN

Renan Santos (Missão)

Sabatina após o Jornal Nacional · Renata Vasconcellos, César Tralli

Terceiro entrevistado da série, Renan Santos foi o candidato que mais se afastou do consenso: declarou-se contra o fim da escala 6x1, prometeu confronto direto com o crime organizado e manteve o tom sem filtro que o distingue — o mesmo que divide a avaliação do eleitorado.

O que foi perguntado

  • Trabalho — escala 6x1Respondeu

    É a favor do fim da escala 6x1?

    Disse-se contra o fim da escala, argumentando com o custo para pequenos negócios e o risco de desemprego.

  • Segurança públicaRespondeu

    O que faria contra as facções?

    Prometeu enfrentamento direto ao crime organizado, retomando a proposta de presídios de segurança máxima.

  • Experiência de governoRespondeu em parte

    Nunca geriu um orçamento público. Por que confiar-lhe a Presidência?

    Respondeu pela via política — a de ser um outsider sem compromissos —, sem detalhar equipa ou método de gestão.

Pontos altos

  • Respostas diretas, sem rodeiosAssumiu posições impopulares em blocos como o do trabalho sem recorrer a formulações ambíguas.
  • Consistência com o discurso de campanhaManteve na TV aberta a mesma agenda de segurança que já lhe tinha dado destaque no primeiro debate.

Pontos baixos

  • Falta de detalhe na máquina públicaNas perguntas sobre gestão e orçamento, respondeu com posicionamento político em vez de método — a mesma crítica que recebeu depois do debate da Band.
  • Tom que divideO estilo de confronto, eficaz com parte do eleitorado, continua a ser apontado como agressivo por outra parte, sobretudo entre eleitoras.

Leitura de desempenho

Coerente e direto no que domina — segurança e trabalho —, mais frágil quando a pergunta exige experiência de gestão.

Critério: Destaques da sabatina publicados pela CBN e cobertura de O Globo

27/08/2026TV Globo / g1 / GloboNews / CBN

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Sabatina após o Jornal Nacional · Renata Vasconcellos, César Tralli

O candidato à reeleição foi confrontado sobretudo com os inquéritos que envolvem o filho, a relação com uma lobista, o caso Banco Master, as fraudes no INSS, a economia e a segurança pública. Chamou as acusações de 'ilações', disse que o filho pagará se cometeu ilícitos e negou qualquer blindagem; a checagem apanhou erros nos números do PIB e exageros em programas sociais.

O que foi perguntado

  • Inquéritos sobre o filhoRespondeu

    O senhor blindou o seu filho em investigações?

    Negou blindagem, classificou as acusações como ilações e afirmou que, se cometeu ilícitos, o filho pagará.

  • Relação com lobistaRespondeu em parte

    Encontrou-se com a lobista ligada ao seu filho?

    Negou o encontro; o Aos Fatos transcreveu e contestou parte da versão apresentada.

  • Economia e dívida públicaRespondeu em parte

    Como controla o crescimento da dívida pública?

    Respondeu com ironia à apresentadora, dizendo esperar uma pergunta diferente, e errou nos dados do PIB, segundo a Lupa.

  • Caso Banco Master e INSSRespondeu em parte

    Que responsabilidade tem o governo nas fraudes do INSS e no caso Master?

    Atribuiu a origem dos descontos a gestões anteriores e destacou o ressarcimento aos aposentados.

  • Segurança públicaRespondeu

    O que muda num novo mandato no combate ao crime organizado?

    Disse querer 'recuperar território' do crime e criticou Marcola por pedir dinheiro a lobista.

Pontos altos

  • Réplica que agradou à baseO Poder360 registou a comemoração de petistas com a ironia usada ao responder sobre as contas do governo — lida por aliados como controlo do ritmo da entrevista.
  • Não fugiu ao tema do filhoEnfrentou de frente a pergunta mais desconfortável da noite e assumiu que o filho responderá se houver ilícito.

Pontos baixos

  • Erro sobre o PIBA Agência Lupa classificou como errados os números apresentados sobre o crescimento da economia.
  • Exageros sobre fome e ensino superiorOs checadores apontaram exagero nos resultados atribuídos ao combate à fome e à ampliação da rede pública de ensino superior.
  • Versão contestada sobre a lobistaO Aos Fatos e a Lupa registaram inconsistências na explicação sobre a relação com a lobista amiga do filho.

Leitura de desempenho

Confortável no confronto e sem fugir às perguntas sobre a família, mas com vários dados económicos e sociais corrigidos em direto pelos checadores.

Critério: Checagens da Agência Lupa e do Aos Fatos; análise comparativa de O Globo

25/08/2026TV Globo / g1 / GloboNews / CBN

Ronaldo Caiado (PSD)

Sabatina após o Jornal Nacional (e sabatina O Globo/Valor/CBN a 26/08) · Renata Vasconcellos, César Tralli

Caiado apostou na segurança pública e no combate às facções, o eixo da sua candidatura, e propôs anistia 'ampla, geral e irrestrita' aos envolvidos no 8 de janeiro como caminho para 'despolarizar' o país. Foi o candidato mais criticado por fugir a perguntas diretas, e tropeçou em dados internacionais.

O que foi perguntado

  • Segurança públicaRespondeu em parte

    Como levaria o modelo de Goiás contra as facções para o país?

    Detalhou operações e integração de forças, mas usou dados sobre facções fora de contexto, segundo a Lupa.

  • Anistia ao 8 de JaneiroRespondeu

    Defende anistia a quem participou da tentativa de golpe?

    Defendeu anistia ampla, geral e irrestrita como forma de despolarizar o Brasil, e comparou-a à anulação das condenações de Lula.

  • Alianças e polarizaçãoDesviou-se

    Com quem governaria e como se posiciona entre Lula e o bolsonarismo?

    Não fixou posição; devolveu a pergunta ao tema da pacificação nacional, conforme registou o Poder360.

  • Cooperação internacionalRespondeu em parte

    Que papel teria a cooperação internacional no combate ao crime organizado?

    Descreveu incorretamente a atuação da Europol, segundo a checagem em direto.

Pontos altos

  • Terreno próprio: crime organizadoManteve-se firme e específico ao falar de operações contra facções, o tema que estrutura a sua campanha.
  • Posição clara sobre anistiaAo contrário de outros momentos, não hesitou: assumiu a defesa da anistia ampla e explicou o raciocínio político por trás dela.

Pontos baixos

  • Fugiu de perguntas diretasO Poder360 titulou a análise com a fuga às perguntas — sobretudo nas que exigiam posicionamento entre os dois polos da disputa.
  • Erro sobre a Europol e comparação exageradaA Lupa registou erro na descrição da Europol e classificou como exagerada a comparação entre a anistia do 8 de janeiro e a anulação das condenações de Lula.

Leitura de desempenho

Confortável na segurança pública, evasivo na política: a imprensa destacou tanto a firmeza no tema-bandeira como as perguntas deixadas sem resposta.

Critério: Análise do Poder360 e checagem da Agência Lupa / g1 Fato ou Fake

24/08/2026TV Globo / g1 / GloboNews / CBN

Romeu Zema (Novo)

Sabatina após o Jornal Nacional · Renata Vasconcellos, César Tralli

Primeiro dos seis presidenciáveis na série de entrevistas ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio. Zema centrou a conversa no seu histórico de gestão em Minas Gerais — contas públicas, dívida com a União e privatizações — e tentou transportar o discurso de ajuste fiscal para a escala federal. A checagem em tempo real apanhou-o em erro quando passou da economia para segurança pública.

O que foi perguntado

  • Contas públicasRespondeu

    Como o senhor equilibraria as contas federais e o que faria com a dívida?

    Apresentou os números do ajuste em Minas e defendeu corte de despesa e privatizações como método federal.

  • Dívida de Minas com a UniãoRespondeu em parte

    Minas continua sem pagar a dívida com a União. Isso não é o oposto de ajuste?

    Justificou com o histórico herdado e o regime de recuperação fiscal, mas exagerou nos valores, segundo a checagem.

  • Segurança e violência contra a mulherRespondeu em parte

    Que política nacional teria contra o crime e contra o feminicídio?

    Defendeu endurecimento penal, mas errou ao descrever a lei penal e os números de feminicídio em Minas.

Pontos altos

  • Domínio dos números do próprio governoA Agência Lupa deu como corretos os dados que apresentou sobre as contas públicas mineiras — o terreno onde é mais forte.

Pontos baixos

  • Errou sobre lei penal e feminicídiosNa checagem ao vivo do Jornal Nacional, a Lupa registou erro na descrição da legislação penal e nas estatísticas de feminicídio em Minas Gerais.
  • Exagero sobre a dívida do estadoA dimensão que atribuiu à dívida mineira com a União foi classificada como exagerada pelos checadores.

Leitura de desempenho

Sólido no capítulo fiscal, impreciso fora dele: acertou nos dados de contas públicas e errou ao falar de lei penal e feminicídio.

Critério: Checagem em tempo real (Agência Lupa) e Fato ou Fake (g1/O Globo/CBN)

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